"" C I R A N D A R ""

Na morna quietação da penumbra da rua,

sob a luz dos lampiões, em algazarra, um bando

de crianças, num vaivém, mãos dadas, vai cantando

as modinhas que o tempo antigo perpetua...
Lá na altura do céu... na noite clara e nua

as estrelas também, de roda, estão brincando...

Como as crianças da rua, alguma, vez em quando

avança pelo azul, e uma outra então recua...
Quanta cousa recordo!... Assim, sozinho - ao vê-las,

não sei se é o céu que está, todo cheio de crianças

ou se a rua, se encheu, ali, toda de estrelas...

Não sei... Tudo é nublado e triste em meu olhar...

- Fazem roda em minha alma as últimas lembranças

de um tempo em que eu também sabia cirandar!...